miceli

5 contratos que sua empresa precisa revisar diante da reforma do Código Civil

A proposta de reforma do Código Civil 2026 promete alterar significativamente diversos aspectos das relações privadas e empresariais no Brasil. Embora o texto ainda esteja em tramitação, algumas mudanças já despertam preocupação entre empresários, especialmente em temas relacionados à tecnologia, inteligência artificial, proteção de dados e responsabilidade civil.

Nesse cenário, a revisão contratual empresarial deixa de ser uma simples medida preventiva e passa a ser uma estratégia essencial de gestão de riscos. Empresas que não atualizarem seus contratos poderão enfrentar aumento de passivos, insegurança jurídica e dificuldades para transferir responsabilidades entre parceiros comerciais.

Confira os cinco contratos que merecem atenção imediata.

Contratos com Fornecedores de Inteligência Artificial

O uso de sistemas de IA está cada vez mais presente em empresas de todos os setores. Ferramentas de análise de crédito, atendimento automatizado, recrutamento, monitoramento de desempenho e geração de conteúdo já fazem parte da rotina corporativa.

O crescimento do uso de sistemas de IA nas empresas trouxe novos desafios jurídicos. Com a reforma, ganha relevância a discussão sobre a responsabilidade empresarial da IA, especialmente em situações envolvendo erros, vieses, decisões automatizadas equivocadas ou falhas operacionais.

Os contratos com fornecedores de IA devem prever de forma clara:

  • As responsabilidades por falhas do sistema;
  • Os limites de uso da ferramenta;
  • Os critérios de auditoria e transparência algorítmica;
  • As obrigações de suporte e atualização; e
  • A distribuição de riscos em caso de prejuízos.

Sem cláusulas específicas, a empresa contratante pode acabar assumindo responsabilidades que deveriam ser atribuídas ao desenvolvedor da tecnologia.

Contratos de Dados e Tecnologia

Outro ponto sensível envolve os contratos de dados e tecnologia, especialmente aqueles relacionados ao armazenamento, tratamento e compartilhamento de informações.

A tendência legislativa é aumentar a responsabilização dos agentes envolvidos em incidentes de segurança e uso inadequado de dados. Por isso, os contratos devem prever:

a) Medidas mínimas de segurança da informação;

b) Protocolos de resposta a incidentes;

c) Obrigações de compliance;

d) Regras sobre compartilhamento de dados; e

e) Limitação e distribuição de responsabilidades.

A preocupação é ainda maior diante dos riscos de responsabilidade por vazamento de dados, que podem gerar prejuízos financeiros, danos reputacionais e litígios judiciais.

A reforma pode ampliar discussões sobre deveres de diligência, guarda de informações e repartição de responsabilidades entre controladores, operadores e fornecedores tecnológicos.

Contratos que Envolvem Decisões Automatizadas

A utilização de sistemas capazes de tomar decisões sem intervenção humana tornou-se cada vez mais comum no ambiente empresarial.

Ferramentas de análise de crédito, seleção de currículos e definição de perfis de consumo são apenas alguns exemplos.

A reforma do Código Civil pode ampliar as discussões sobre os limites da decisão automatizada e os deveres das empresas que utilizam essas tecnologias. Isso porque uma decisão tomada por algoritmo pode produzir impactos significativos na vida de consumidores, colaboradores e parceiros comerciais.

Em situações nas quais uma ferramenta automatizada gera prejuízos indevidos, poderá surgir a discussão sobre a existência de dano por algoritmo, tema que vem ganhando destaque no cenário jurídico nacional e internacional.

Por essa razão, os contratos relacionados a essas tecnologias devem prever mecanismos de supervisão, transparência e gestão de riscos.

Contratos Societários

Os contratos societários também merecem revisão diante das possíveis alterações legislativas. Mudanças envolvendo responsabilidade dos sócios, governança corporativa e administração das sociedades podem afetar diretamente a dinâmica interna das empresas.

Muitas sociedades operam com contratos elaborados há anos, sem qualquer atualização para refletir a realidade atual do negócio.

A reforma representa uma oportunidade para revisar cláusulas relacionadas à tomada de decisões, ingresso e retirada de sócios, distribuição de responsabilidades e solução de conflitos.

Essa atualização contribui para reduzir litígios internos e proporcionar maior estabilidade à estrutura societária.

Contratos de Prestação de Serviços e Responsabilidade Civil

Os contratos de prestação de serviços continuam sendo uma das principais fontes de disputas judiciais no ambiente empresarial. Com o fortalecimento das discussões sobre responsabilidade civil, torna-se ainda mais importante definir de forma clara as obrigações assumidas por cada parte.

Cláusulas genéricas ou imprecisas podem aumentar a exposição da empresa a pedidos indenizatórios, especialmente quando os serviços contratados envolvem tecnologia, tratamento de dados ou processos automatizados.

Uma revisão criteriosa permite delimitar responsabilidades, estabelecer critérios objetivos para eventual reparação de danos e criar mecanismos capazes de reduzir conflitos futuros.

O Risco Jurídico Empresarial

Independentemente da redação final da reforma, o movimento legislativo evidencia uma preocupação crescente com a regulação das novas tecnologias e com a proteção dos direitos de pessoas impactadas por sistemas digitais.

Nesse cenário, o risco jurídico empresarial em 2026 estará diretamente relacionado à capacidade das empresas de adaptar seus contratos às novas exigências legais e às transformações tecnológicas.

Negócios que mantiverem instrumentos desatualizados poderão enfrentar maior insegurança jurídica, aumento de passivos e dificuldades para transferir ou limitar responsabilidade.

Conclusão

A reforma do Código Civil 2026 representa muito mais do que uma atualização legislativa. Ela sinaliza uma transformação na forma como empresas deverão lidar com tecnologia, inteligência artificial, dados e responsabilidade jurídica.

Revisar contratos com fornecedores de IA, contratos de dados e tecnologia, instrumentos relacionados à decisão automatizada, contratos societários e contratos de prestação de serviços será fundamental para reduzir o risco jurídico empresarial.

Empresas que se anteciparem às mudanças estarão mais preparadas para enfrentar os novos desafios regulatórios, proteger seu patrimônio e manter a segurança jurídica necessária para crescer em um ambiente cada vez mais digital e complexo.

Autora: Gabriella Fernandes Alves

Instagram: @gabi_falves

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/gabriella-fernandes-89aa071ab?utm_source=share&utm_campaign=share_via&utm_content=profile&utm_medium=ios_app

Receba em seu e-mail nossa Newsletter com notícias especializadas