O acesso de crianças com o diagnóstico de autismo às instituições de ensino educacional regular é de extrema importância para a sua vida acadêmica, bem como para a sua vida social e a vida de todos os familiares envolvidos. Além disso, outro fator importante é que esse acesso aconteça de forma precoce, para que assim todas as dificuldades que venham a existir sejam amenizadas e devidamente acompanhas.
Entretanto, sabemos que o acesso à educação regular não é fácil, e que nem todas as escolas regulares possuem uma estratégia de inclusão, ou seja, nem todas as escolas aceitam alunos autistas, ou possuem professores capacitados para exercerem tais funções.
Diante disso, é de suma importância capacitar os docentes para que todas as escolas estejam qualificadas a receberem todas as crianças e inclui-las em todas as dinâmicas escolares. Entretanto, esse objetivo não é alcançado apenas com medidas facilitadoras, como professores de reforço e cuidadores, pois tais medidas visam a adaptação das crianças as escolas, porém as escolas que precisam estar adaptadas as crianças em qualquer situação ordinária ou incomum.
Ou seja, grande parte das escolas entende como suficiente um orientador terapêutico, por exemplo, para o acompanhamento de crianças autistas, porém não se deve substituir professores capacitados por orientadores. Orientadores, psicólogos e entre outros profissionais são extremamente necessários, porém devem exercer um trabalho complementar e não substitutivo.
Além do acesso, sendo a primeira etapa, deve-se garantir a qualidade de ensino. Nesse sentido, a Educadora Maria Teresa Mantoan, Professora da Universidade de Campinas, afirma: “É necessário um plano de ensino que respeite a capacidade de cada aluno e que proponha atividades diversificadas para todos e considere o conhecimento que cada aluno traz para a escola”.
Ademais, o acesso às escolas regulares é somente a primeira etapa, pois é imprescindível garantir a permanência dessas crianças nas instituições de ensino, nesse sentido o presidente da Associação Brasileira para Ação dos Direitos das Pessoas com Autismo (Abraça), Alexandre Mapurunga garante: “A inclusão começa com a chegada desse aluno à escola, mas é preciso também garantir sua permanência e aprendizagem.”
Diante disso, resta claro que as escolas precisam exercer um plano pedagógico que inclua as crianças autistas em todas as vivências escolares, e que esse plano garanta não só um acesso às escolas regulares, mas sim, uma educação regular de qualidade e a permanência dessas crianças até a sua formação.
Mesmo considerando a importância das organizações especializadas, o presidente da Associação Brasileira para Ação por Direitos da Pessoa com Autismo (Abraça), Alexandre Mapurunga, acredita que elas não podem substituir a escola regular. “Não tem como substituir a diversidade e cultura escolar. Se ela tem dificuldade de socializar e desde cedo tiramos essa oportunidade de estar em um meio social, vamos condenar essa pessoa a ter uma vida adulta mais dependente ainda”, conclui.