O Banco Central trouxe um novo conceito ao nosso sistema financeiro com a implementação do Open Banking no Brasil.
O Open Banking, para quem não sabe, é uma expressão em inglês que se refere a “Sistema Financeiro Aberto”, o que significa que os seus dados serão abertos a outros bancos, ou seja, os dados dos clientes poderão ser compartilhados e padronizados de modo que que os serviços e produtos bancários levem em conta as necessidades de seus clientes de uma forma particularizada.
Pode-se dizer que é um conjunto de regras e tecnologias que vai permitir o compartilhamento de dados e serviços de clientes entre bancos e outras instituições financeiras.
Tudo deve ser feito com autorização expressa do cliente, que decide quais dados são compartilhados, com quem e por quanto tempo.
O princípio fundamental do Open Banking é o consentimento do usuário.
A proposta do Open banking é que o cliente possa autorizar que as outras instituições possam ter acesso as suas informações.
Com a implementação de tal sistema, pode-se elencar diversos benefícios tais como: Liberdade para contratar produtos e serviços; controle dos dados e histórico financeiro; escolha de taxas e tarifas menores; custos operacionais reduzidos, dentre outros.
Mas o principal objetivo, segundo podemos extrair, é a liberdade e a competitividade que esse novo conceito traz.
O Banco Central espera com isso “Mais competição: com acesso aos dados dos usuários, instituições participantes poderão fazer ofertas de produtos e serviços para clientes de seus concorrentes, com benefícios para o consumidor, que poderá obter tarifas mais baixas e condições mais vantajosas”[1].
Portanto, a sua implementação visa incentivar a concorrência entre os bancos para oferecer melhores taxas, melhores condições, melhores prazos, e assim você pode escolher aquilo que melhor se adapta a sua realidade.
O que poderá ser compartilhado: Os dados cadastrais, informações sobre renda, dados transacionais, dados sobre produtos e serviços. Sendo que as instituições financeiras poderão manter os dados por 12 meses, e após esse prazo tem que ser renovado.
Implementação e suas fases
A implementação foi efetuada de forma gradual e em 4 fases distintas:
Fase 1 -01/02/2021 Open Data padronizado das instituições financeiras: as informações sobre canais de atendimento e produtos e serviços devem ser disponibilizadas, incluindo as taxas e tarifas de cada item ofertado.
Fase 2 – 13/08/2021 Compartilhamento de dados do consumidor: você poderá compartilhar seus dados (cadastros, transações em conta, informações sobre cartões e operações de crédito) com as instituições de sua preferência. Tudo feito por meio de consentimento, que pode ser revogado a qualquer momento.
Fase 3 – 29/10/2021 Serviços à escolha do consumidor: acesso a serviços financeiros, como pagamentos e encaminhamento de propostas de crédito, sem a necessidade de acessar os canais das instituições financeiras com as quais você já tem relacionamento.
Fase 4 – 15/12/2021Ampliação de dados, produtos e serviços: inclusão de novos dados que poderão ser compartilhados, além de novos produtos e serviços, tais como contratação de operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência privada.[2]
A 4ª fase ainda se encontra em implementação, tendo como data final o dia 31/05/2022 quando poderão ser compartilhados os dados transacionais referentes ao escopo acima, mediante prévia autorização do cliente.
As fases podem ser melhor verificadas no site do Banco Central (https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/openbanking) .
Benefícios
O benefício em se criar um sistema financeiro aberto tem como base buscar a facilitação não só na concessão de crédito, estabelecendo taxas mais compatíveis com o perfil de risco do beneficiário do empréstimo.
A ideia é criar produtos e serviços mais compatíveis com o perfil do cliente e com preços mais atrativos para a sua necessidade, com base nos dados de consumo, renda e transações financeiras.
O Banco Central sempre deixou claro que o cliente estaria no centro desse novo sistema aberto, ou seja, o próprio cliente pode retomar o controle dos seus dados, que antes pertenciam aos bancos, podendo levar seu cadastro e histórico financeiro para onde for mais vantajoso, sem ficar preso a uma instituição específica.
Segurança
Uma das preocupações expressadas foi a segurança do compartilhamento e a qualidade dos dados dos clientes, que segundo o Banco Central será de responsabilidade das instituições financeiras, sendo as mesmas regras aplicadas do sigilo bancário.
“É das instituições participantes a responsabilidade pela confiabilidade, integridade, disponibilidade, segurança e sigilo dos dados e serviços dos clientes no processo de compartilhamento. Cabe a elas, também, cumprir as disposições da legislação e da regulamentação em vigor”, diz o Banco Central.
Conclusão
Em resumo, embora seja inegável que o Open Banking poderá trazer uma inovação na oferta de produtos e serviços bancários, o conhecimento a fundo do cliente será ainda um bem vantajoso para os bancos e um jeito pelo qual um banco poderá se diferenciar dos demais, ao possuir informações que não podem ser compartilhadas por outros meios.
Trata-se de algo inovador, que abre o caminho para novos produtos e serviços que podem ajudar os clientes e as pequenas e médias empresas a obterem um melhor negócio. Mas por outro lado, também cria alguns riscos, como os riscos na atuação com terceiros e a segurança no compartilhamento dos dados.
Nesse novo sistema, os bancos terão que reavaliar as suas estratégias, no sentido de oferecer serviços mais personalizados aos anseios de seus clientes, a fim de mantê-los, ou adquirir novos clientes, o que deve se traduzir em maiores vantagens para o consumidor.
[1] https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/openbanking
[2] https://openbankingbrasil.org.br/?cookie=true